O epitáfio de uma mentira – quando a exceção vira regra

O epitáfio de uma mentira – quando a exceção vira regra

Fakes news, ódio, manipulação. Este modelo de fazer política produz coisas que nos estimulam a agir de modo anormal apenas justificado na boa intenção.

O fim justifica os meios ou os fins justificam os meios é mais uma mentira atribuída a Maquiavel. Em sua obra, O Príncipe, Nicolau Maquiavel ensina o que não fazer e pela forma como escreve acaba sendo interpretado de várias formas, principalmente de maneira injusta e pejorativa.

Maquiavel nunca disse que os fins justificam os meios como regra máxima a ser seguida. Em O Príncipe, ele defende que o governante deve agir segundo a moral sempre que possível, mas deve infringi-la somente quando for isso necessário para a manutenção do poder. Ele não diz quando e nem como, mas mesmo assim a infração pode ser justificada em razão da conquista e da manutenção do poder – o que também é errado.

A doutrina cristã diz exatamente o contrário: “Não se pode justificar uma ação má com boa intenção. O fim não justifica os meios. E mais recentemente, não existe um jeito ético de fazer uma coisa errada dar certo.

Ultimamente esses ditados têm sido levados e justificados ao pé da letra. Muitos são condenados por fecharem os olhos ou submeterem-se a ações degradantes e vexatórias apenas para não perder o emprego e com isso prejudicar financeiramente a sua sobrevivência e a da família. Se a pessoa se demite em razão da boa Ética poderá ser vista como um herói da decência. Porém, se isso faz com a sua família venha a passar necessidades poderá estar sendo egoísta pensando apenas na sua própria Ética.

São decisões difíceis. É aquele trabalho que se faz, do qual não nos orgulhamos dele, mas que precisa ser feito para sobreviver. Dessa forma ensina-se que odiar, mentir e manipular deixam de ser opções de sobrevivência momentânea para transformarem-se em regra e, quem não faz ou não aceita isso, é considerado excluso; um idiota, um otário que prega que o certo, do jeito certo, mesmo que na maioria das vezes, já é tido como algo ultrapassado.

Daí presenciamos as justificativas para tudo o que não presta, inclusive a corrupção. Poucos sabem e se sabem fazem de conta que desconhecem: pior que a corrupção no Brasil é a sonegação. Temos um PIB inteiro sonegado, mas ninguém admite que esta é a primeira forma de corrupção. Em vez de exigir o certo, prefere-se justificar-se no errado.

E assim a vida segue e sabe lá Deus pra onde.

Uma coisa certa é que não existe jeito justo de fazer algo errado e o que foge à regra, não é ético. Mas o que dizer quando a regra é fazer o errado, culpando aquele que faz o certo?

Precisamos reaprender que se a exceção foge à regra é por que ela não é a regra.

 

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