2007 foi do notebook! E 2008 será um ano sem-fio?

Há uma grande diferença entre ‘prever’ o futuro e ‘arriscar’ o futuro. Lembre-se da Lei de Peter: “Sempre acontece o inesperado!” Al Ries e Jack Trout.

O Ano-Novo é um evento que acontece em todas as culturas que têm calendários anuais. A celebração é também chamada réveillon, termo oriundo do verbo réveiller, que em francês significa “despertar”.

A comemoração ocidental originou-se num decreto do governador romano Júlio César, que fixou o 1º de janeiro como o Dia do Ano-Novo em 46 a.C. Os romanos dedicavam esse dia a Jano(janeiro vem de Jano), o deus dos portões que tinha duas faces – uma voltada para frente e a outra para trás.

No antigo Egito, há 3750 anos antes de Cristo!(É o novo…) A estrela Sirius alinhava-se com a estrela Canopus no rumo Sul ao centro da Via-Láctea; exatamente à zero-hora sobre as Pirâmides de Gize. O calendário egípcio deu lugar ao cristão. O primeiro minuto de janeiro, abre a janela do Ano-Novo com as estrelas Orion e Sirius até os dias de hoje.

E assim, pela nossa veia cabalística-premonitória, todo fim-de-ano é a mesma coisa. Previsões e mais previsões, pois o negócio é adivinhar! Alguém casará ou pedirá divórcio, outros morrerão, políticos caem e outros sobem, cataclismos e revoltas da natureza, o mundo vai acabar e por ai vai. Todas elas feitas sem nenhuma responsabilidade. Não gosto de previsões. Prefiro apostas, pois nas previsões não há responsabilidade com os riscos, nas apostas, sim.

Gosto de uma passagem de Sócrates quando ele fala das três peneiras. A primeira é a da verdade (o que vai dizer é uma verdade?), a segunda da bondade (o que vai revelar melhora a vida das pessoas?) e a terceira é a da necessidade (elas precisam saber disso?). Se qualquer informação que vier a ser dita conseguir passar pelas três peneiras ela deve ser divulgada. Caso contrário guarde-a para si. Será uma fofoca a menos para consumir o nosso precioso e escasso tempo.

Em junho de 2007 eu fiz uma arrisquei uma aposta na qual os notebooks iriam popularizarem-se em dois anos. Apostei ainda que este seria um ano diferente para os portáteis. Em ambas acertei, mas errei num ponto: a popularização do notebook já havia começado.

No artigo ( A irreversível popularização do notebook .) citei um Decreto do governo onde estavam listadas as configurações para que pudessem ter acesso ao preço diferenciado. Segundo o Decreto a principal novidade seria a oficialização dos notebooks no programa, que teriam limite de preço de 1,8 mil reais para receber os benefícios. Os equipamentos deveriam ter sistema operacional e aplicativos em código aberto, freqüência mínima de 1,4 Ghz, memória principal mínima de 512 MB, uma unidade de disco rígido de 40 GB, gravador de CD e leitor de DVD ou gravação de CD e DVD. A tela seria do tamanho mínimo de 14 polegadas TFT colorido (matriz ativa). A interface de som compatível com Sound Blaster PCI, 16 Bits, Plug & Play, com alto-falantes estéreo embutidos ao equipamento. Estavam previstas três interfaces de comunicação USB 2.0, interface de comunicação sem-fio, adaptador 110/220V, e o notebook deveria pesar no máximo três quilos. Os consumidores tiveram as mesmas condições oferecidas para os desktops, como o financiamento com recursos do FAT.

Da mesma forma como aconteceu com os desktops os notebooks receberam os benefícios da redução dos impostos e ao contrário do que muitos pensavam passaram a vender ainda mais.

Esse número hoje é expressivo. Em apenas três meses foi vendido o mesmo que foi comercializado em nove meses de 2006. O ano realmente foi do notebook.

Mas a sua popularização já ter começado foi a que mais me causou surpresa.Crianças utilizando notebooks e tais equipamentos sendo fornecidos pelo governo gratuitamente para escolas públicas, pra mim, não significa popularização. É apenas uma conseqüência de evolução de mercado ou uma ação seqüencial esperada no decorrer de um tempo. Mas outros sinais apontam para uma antecipação dessa tendência.

Já fazia algum tempo que minha mãe, professora universitária, desejava comprar um notebook para e-mails e apresentações de suas aulas. Mas ainda tinha resistência à maquininha, pois era mais uma coisa a levar. Não resistiu e acabou comprando. Mas essa ainda não foi a minha maior surpresa. Bárbara, a garota que cuida dos serviços domésticos da casa e ainda estuda à noite me procurou para perguntar o que achava do notebook que ela havia comprado, um Bluesky (marca própria OEM de uma grande rede de magazines). Passado o espanto inicial as fichas começaram a cair. Ela me mostrou o equipamento que ainda estava na caixa. As configurações eram as mesmas determinadas pelo Decreto do Governo Federal e ainda vinha com outras vantagens tipo o Vista. Não resisti. Pedi o da minha mãe, que era o mesmo, para dar uma ‘testadinha’. Gostei principalmente da autonomia da bateria que é superior a 1 hora.

Já havia dito que o segundo computador de uma casa seria um note. Outra verdade incompleta. Na realidade o segundo e o terceiro computador de uma casa podem ser um notebook. Claro que não dá para tirar o Brasil pela casa dos meus pais, mas isso já mostra a confirmação de uma tendência de comportamento; a mesma que aconteceu com os celulares. O fato me chama a atenção por ser o Ceará um dos Estados mais pobres da Federação, com baixos salários médios, com poucas oportunidades e que tem uma boa parte da população com média escolaridade. Mesmo assim, a Bárbara comprou o seu primeiro computador ganhando 1,5 salário pagando uma prestação de R$ 130,00 em 12 vezes.

Depois disso passei a rever a minha análise do mercado para tentar entender o que estava acontecendo e o que viria por ai.

Dois conceitos me chamaram a atenção: portabilidade e conectividade. Homens e mulheres reclamam que andar por ai com tantos acessórios seria uma coisa pra lá de inconveniente. MP4, MP3, notebook, celular, câmera digital, pendrive e por ai vai. É certo também pensar que as mulheres já compram tecnologia quase que nas mesmas proporções que os homens (Veja o artigo- Do que as mulheres também gostam-parte II ) e que preferem os notebooks de tamanho menor, cor branca, tela pequena (máximo 14 polegadas) e fundamentalmente os de menor peso. Além disso, devem ser fáceis de conectar, rápidos e, que caibam em suas bolsas, que a propósito estão cada vez maiores e mais carregadas de coisas. Vale aqui uma curiosidade: as pessoas para economizarem com telefone estão usando mais de dois celulares, sendo um para cada operadora (que confusão!).

Seguindo o raciocínio da CONECTIVIDADE e da PORTABILIDADE chegamos a inclusão do terceiro ponto: INTEGRAÇÃO. Assim a tendência mostra a preferência por equipamentos com conectividade, portabilidade e integrados-os famosos X em 1. Nessa linha surgem os iPhones e os Smartphones.

O mundo quer tudo sem fio! Notebooks, impressoras, televisores, som, mouse, teclado, joysticks… Tudo wireless!

Uma outra linha deverá adaptar-se a esse conceito do mundo sem-fio. Os média centers se renderão a esse novo mundo e vão ‘bombar’ sem-fio. Os home theaters menores e com maior potência deverão pegar (vide lançamento do VIBEMIX Extralife 2.2 com 80W/RMS). Alguns acessórios para notebook que já vêm em maletinhas do tamanho de três caixas de CD empilhadas e que estão vindo com fios retrátéis aparecerão em 2008 numa versão com acessórios sem-fio. Já há um ‘boom’ de vendas para os produtos da marca D´Link. Nas palestras realizadas pelos instrutores dessa marca não se espera menos que sala cheia e gente sobrando do lado de fora forçando a realização de outra apresentação. A NOKIA lançou o N95, um Smartphone que é comercializado com exclusividade, durante o seu lançamento, pelas lojas da rede VarejoInfo ( www.varejoinfo.com.br ) com internet inclusa e desbloqueado por R$ 2.100,00. Tive a oportunidade de ver a apresentação do equipamento pela equipe da NOKIA e confesso que fiquei tentado a andar com um.

Uma novidade interessante neste Natal foram as caixinhas de som portáteis para amplificar o som de MP4 e MP3 que antes eram comercializadas a valores acima de R$ 100 reais e já podem ser encontradas por menos de R$ 70,00. Recentemente adquiri um modelo da marca Clone para MP4/MP3 que tem um bom som, já vem com pilhas, conexão USB e adaptadores P1/P2 e custou apenas R$ 15,00. Comprei várias delas para dar de presente no Natal, pois meus amigos e familiares tinham MP3 e MP4 mas não tinham uma caixa de som portátil. Foi um sucesso! Foi explorando a vantagem da portabilidade que as minhas despesas de Natal tiveram uma ótima relação custo-benefício.

E essa é a minha aposta para 2008: Tudo que convergir para estes três conceitos: Integração, portabilidade e conectividade têm tudo para ser um sucesso e se ainda for sem-fio será garantia de boas vendas.

A propósito: perguntei a Bárbara qual internet ela iria instalar no seu notebook. A resposta veio rápida: – “Wireless, pois eu detesto esse negócio de fio pendurado.”

Uma coisa é certa: eu não me espanto mais com essa criatura de hábitos inesperados que atende pelo nome de MERCADO.

Eu fiz a minha aposta, e você? Que palpite você arriscaria fazer para 2008?

Não adianta consultar os búzios e nem sua mãe-de-santo preferida. Deixe isso para a equipe do Fantástico, pois, certo mesmo, no fim-de-ano é que tivemos Roberto Carlos no Natal, a Retrospectiva antes de terminar o ano e um exército de Papais-Noéis espalhados por todos os shoppings e semáforos desse país.

Um Feliz 2008, sem-fio, para todos vocês!

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