Contra-propaganda: Americanos contratam empresa para criar perfis falsos contra terrorismo

Fakes como contra-propaganda

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, após reportagem de investigação, uma empresa californiana (Ntrepid) foi contratada pelo Comando Central Americano (Centcom) – que supervisiona as ações militares norte-americanas no Médio Oriente e na Ásia – para levar adiante a missão de criar perfis online fictícios (fakes) mas com um histórico detalhado, para passar realismo e espalhar mensagens favoráveis aos Estados Unidos.

O jornal britânico explica que o fakes só serão usados para espalhar mensagens de contra-propaganda em línguas que não o inglês: árabe, farsi, urdu e pashtun.

O porta-voz da Centcom, Bill Speaks, referiu que a tecnologia contratada à empresa Ntrepid (localizada em Los Angeles) não se irá destinar a uma audiência norte-americana, uma vez que isso não seria legal.

O contrato com a Centcom prevê que os perfis fakes venham a ser manipulados por cerca de 50 controladores com base nos EUA, ainda que os servidores que irão auxiliar esta tarefa possam dar a ideia de estarem espalhados pelo mundo, para se criar a ilusão de que estes perfis são mesmo controlados por pessoas de diferentes regiões do globo.

Uma vez em ação, este software permitirá ao pessoal militar responder online através do Facebook, do Twitter, de blogues e de fóruns de discussão.

Ao que tudo indica, essas operações irão localiza-se na base aérea MacDill, perto de Tampa, Florida, onde de localiza o quartel-general do Centcom.

O “Guardian” presume que este contrato entre o Centcom e a Ntrepid faça parte de um programa mais abrangente chamado Operation Earnest Voice (OEV), que foi inicialmente desenvolvido no Iraque como uma arma ideológica contra a presença online da rede terrorista al-Qaeda e outras forças anti-americanas.

Desde essa época que o programa OEV se expande (terá hoje um orçamento de 200 milhões de euros) com o objetivo de localizar e desfazer ações de jihadistas [aqueles que defendem uma “guerra santa” Islâmica] em locais como o Paquistão, Afeganistão e em algumas zonas do Médio Oriente.

A OEV é encarada pelo comando norte-americano como vital para as missões de contra-terrorismo e contra-radicalização extremista. No ano passado, o general David Petraeus, à época comandante do Centcom, descreveu a operação como um esforço de combate às “ideologias extremistas e à contra-propaganda” e como uma tentativa de assegurar que vozes de credibilidade da região fossem ouvidas.

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