GSX-R 1000: Superesportiva de corpo e alma

Arthur Caldeira

Apesar das mudanças sutis é possível notar que a nova geração da Suzuki GSX-R 1000 foi reestilizada. Técnica que a fábrica de Hamamatsu domina: atualizar um modelo, mas sem extrair sua identidade. Os fãs agradecem, mas os críticos mais ácidos acham que já era hora de uma mudança mais radical. O fato é que a décima geração dessa esportiva manteve as qualidades que fizeram a fama da linhagem. E não é para menos, já que a marca nipônica constrói superesportivas há 25 anos.

Lançada no exterior em 2009, a Suzuki GSX-R 1000 não traz os apelos eletrônicos de uma BMW S 1000RR ou os modernos freios da Honda CBR 1000RR. Mas ainda impressiona com suas qualidades: um motor que cresce de giros quase que exponencialmente e um chassi intuitivo, que quase “conversa” com o piloto.

O motor DOHC (duplo comando no cabeçote), quatro cilindros, quatro tempos, 16 válvulas e com arrefecimento líquido, de 999 cm³, gera 185 cv de potência e 11,9 kgf.m de torque. Graças às mudanças no gerenciamento do propulsor, os 185 cavalos de potência máxima a 12.000 rpm são entregues de forma bastante linear e controlável. Mas experimente exagerar no acelerador em terceira marcha e veja o mundo ficando para trás rapidamente.

A GSX-R 1000 conta com avançado sistema de exaustão que reduziu as emissões de CO2. Para completar, os escapamentos são feitos em titânio e aço inoxidável e foram inspirados nos modelos utilizados noCampeonato Mundial de Motovelocidade, categoria MotoGP.

Mapas de gerenciamento e ciclística

O piloto ainda pode selecionar um dos três mapas de gerenciamento do motor (A, B e C) para diferentes situações de pilotagem. A mudança no novo modelo fica por conta do reposicionamento do seletor no punho esquerdo, facilitando seu acionamento. Assim, o sistema S-DMS (Suzuki Drive Mode Selector) possibilita a escolha do modo de pilotagem de acordo com a preferência ou condições de pilotagem como, por exemplo, em pista fechada ou com chuva. Fica evidente a diferença de comportamento do motor quando o piloto seleciona uma das três opções de seleção.

A impressão de controle na pilotagem também se deve muito ao novo quadro e do conjunto de suspensões. Na dianteira, o sistema de big piston fork (garfo de pistão grande em tradução literal) evita mergulhos em frenagens bruscas e transmite total confiança para o piloto em curvas.

O novo desenho da balança traseira e o amortecedor totalmente regulável mantém a roda traseira no chão em curvas de alta velocidade de uma forma que dá vontade de testar o limite dessa superbike, ainda mais em pista fechada, caso deste teste.

A distância entre-eixos está um centímetro menor, porém a balança traseira foi alongada em 3,2 cm – resultando em uma melhor tração na roda traseira e mais estabilidade.

Já o sistema de freio é composto por duplo disco flutuante com fixação radial, de 310 mm de diâmetro e mordido por pinças de quatro pistões opostos na dianteira. Na traseira, disco simples de 220 mm de diâmetro e mordido por pinça de um pistão. Apesar da não adoção do sistema de freios ABS, o comportamento dos freios está de acordo com a proposta da moto, mas é preciso saber dosar a força no manete. Para ajudar ainda mais no trabalho de frenagem e amortecimento, a moto está calçada com pneus radiais de perfil esportivo nas medidas 120/70ZR 17 (D) e 190/50ZR 17 (T).

Apesar do porte avantajado da Suzuki GSX-R 1000, o piloto vai bem encaixado no estreito tanque, que tem capacidade para 17,5 litros de gasolina. A posição de pilotagem é até confortável para uma superesportiva, já que a GSX-R1000 conta com pedaleiras ajustáveis e uma tampa substitui o assento traseiro para pilotagens solo.

Painel e preço

Completo, o painel de instrumentos da Suzuki 1000 conta com display em LCD que traz várias informações: dois hodômetros (parciais e reserva), temperatura do líquido de arrefecimento, alerta de baixa pressão do óleo, cronômetro de volta, seleção do S-DMS e barra gráfica indicando a intensidade do brilho do painel, além de relógio.

O preço sugerido da GSX-R 1000 é de R$ 58.900,00. Valor interessante para se ter um ícone entre as superesportivas. Uma moto com motor potente, chassi excelente, mas sem o visual moderno e toda a tecnologia da concorrência.

Ficha Técnica
Motor:  DOHC, 4 cilindros, 4 tempos, 16 válvulas e arrefecimento líquido
Capacidade cúbica: 999 cm³
Potência máxima: 185 cv a 12.000 rpm
Torque máximo: 11,9 kgf.m a 10.000 rpm
Alimentação: Injeção eletrônica
Capacidade do tanque: 17,5 litros
Câmbio: Seis marchas
Transmissão final: Corrente
Suspensão dianteira: Telescópica invertida (upside-down) totalmente ajustável
Suspensão traseira: Balança com monoamortecedor fixado por link totalmente regulável
Freio dianteiro: Disco duplo flutuante de 310 mm de diâmetro com pinça de quatro pistões fixada radialmente
Freio traseiro: Disco simples com 220 mm de diâmetro com pinça de um pistão
Chassi: Dupla trave superior em alumínio
Dimensões (C x L x A): 2.045 x 720 x 1.130 mm
Altura do assento: 810 mm
Altura mínima do solo: 130 mm
Entre-eixos: 1.405 mm
Peso em ordem de marcha:  205 kg
Cores:  Branca/Azul, cinza/preta e preta
Preço público sugerido: R$ 58.900,00

Fotos: Ivan Araújo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.