Honda CB 500X – Minhas impressões após 1.700km.

Honda CB 500X – Minhas impressões após 1.700km.
A minha CB500. Uma moto que deixou saudades.

A minha CB500. Uma moto que deixou saudades. 2006.

Há uns anos eu possuí uma CB500 preta apelidada de ‘negona’. Adorava essa moto, até que tive que vender. Acontece que na mesma época na qual ela saiu de linha ocorreu um fato curioso – em vez de cair de preço por isso, a moto valorizou-se. Isso mostrou que a Honda havia dado um tiro no pé.

Muitos reclamavam a falta de uma moto de entrada com essa cilindrada. Tempos depois a Honda decide trazê-la de volta com o nome de CB500X. Tive a oportunidade de testá-la a convite da Fort Motos Honda Dream e me surpreendi com ela.

A linha Honda CB500 tem três versões: uma esportiva, a CBR 500R, uma naked, a CB 500F, e esta versão que testei a CB 500X – uma moto que adota o conceito de moto-versátil.

O Teste

A nova CB500X. Surpreendente!

A nova CB500X. Surpreendente!

Não gosto de emitir avaliação sobre motos sem antes de ter rodado pelo menos uns mil quilômetros. Esta quilometragem permite que você tenha uma convivência mais familiar com a moto e venha e entender de forma mais amiúde seu projeto.

Assim o teste ocorreu em uma viagem do Anonymous MG que foi à Recife buscar a moto nova de um de seus integrantes – Dr. Adriano.  Saímos na sexta pela manhã e retornamos no sábado. Foram 1.700 km percorridos em menos de 48 horas em vários tipos de piso. De dia e de noite. Na estrada e nos caóticos trânsitos de Fortaleza e Recife.

Consumo

Na ida para Recife tínhamos hora para chegar e por conta disso as paradas foram reduzidas e o ritmo ficou mais intenso. Andamos numa média de 115 km/h com as máximas chegando aos 160 km/h e o consumo ficou na casa dos 20 km/litro. Na volta, mais tranquilo, e numa média mais baixa em torno de 105 km/h com máxima de 150km/h, o consumo melhorou chegando a casa dos 25 km/litro.

A capacidade do tanque é de 17 litros (2,8 litros para reserva) Isto permite uma autonomia mínima de 323 km e uma máxima de 425 km, muito boa para quem vai pegar estrada.

Ciclística

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Projeto de uma moto versátil.

Aqui a parte que impressiona. A tendência parece mesmo que se construam projetos de motos versáteis. O pioneirismo nessa linha veio com a Versys 650 da Kawasaki lançada para concorrer com a V-Strom da Suzuki. Agora a Honda se rende a esse conceito e inova fazendo com que ela chegue completa ( Versão com ABS) a um preço interessante para uma moto de entrada – R$ 25.000,00 – preço sugerido site Honda.

Apesar de pequena, a adoção do conceito versátil onde a moto nem é esportiva, nem é bigtrail, nem é naked, nem é granturismo e é as quatro coisas em uma só moto parece uma aposta arriscada, mas na verdade é certeira. Basta andar nela para perceber como ela é dócil e ao mesmo tempo valente. A ciclística favorece todo esse desempenho ao trazer um chassi tipo diamante aliado a uma boa posição de pilotagem que permite rodar por horas sem sentir cansaço. Apesar de ser um motor de dois cilindros DOHC, 4 tempos de refrigeração líquida não se percebe a costumeira vibração que incomoda muita gente. No teste eu não senti esse incômodo. Afinal de contas foram vinte horas em cima dela.

Suspensão e pneus

Arisca na estrada e dócil no trânsito. É cutucar e ela responde.

Arisca na estrada e dócil no trânsito. É cutucar e ela responde.

A CB 500X tem 140mm de curso na suspensão dianteira e isso nas bengalas quer dizer que possui um ângulo de rake mais apropriado a uma moto pronta também para trafegar em piso ruim e ainda uma melhor capacidade de absorção de impactos pela frente. Além disso, a distância entre eixos, melhora a estabilidade em retas. Com velocidade a moto não ‘shima’!

Do ponto de vista de quem pilota, percebe-se nitidamente uma suspensão que transfere pouco impacto para o guidão em relação ao piso. A altura de 81cm do assento em relação ao solo não incomoda principalmente a um ser baixinho como eu que com um 1,65m de altura estou perto da zona de rebaixamento para a categoria ‘batoré’.

Os pneus escolhidos para equipar este modelo proporcionam a sensação de estar pilotando uma supermotard. Na dianteira temos um 120/70 – 17 e na traseira um 160/60 – 17.  Este conjunto responde bem e proporciona uma pilotagem segura em terrenos ruins também.

Motor

CB500X e suas medidas. Imagem - Motonline.

CB500X e suas medidas. Imagem – Motonline.

O modelo fecha a família 500cc, ao lado da naked CB 500F e da esportiva CBR 500R. Os três modelos utilizam o mesmo motor bicilindrico, de quatro tempos e 471 cm3 – DOHC (Double Over Head Camshaft), com duplo comando de válvulas no cabeçote, quatro válvulas por cilindro e arrefecimento a líquido, que desenvolve potência máxima de 50 cv a 8.500 rpm e torque máximo de 4,55kgf.m a 7.000 rpm para empurrar um conjunto de 183 kg de peso na versão ABS e uma razão de um cavalo para cada 3,66kg. Adicionando o meu peso ao conjunto mais o combustível teremos uma relação de 5,76 kg para cada cavalo. Para uma moto de 500cc isso não é ruim.

É aqui que a Honda deu o chamado ‘pulo-do-gato’. A combinação equilibrada de um bom projeto de chassi com um motor que não vibra, apesar dos dois cilindros, proporciona a quem pilota uma garantia de ter um equipamento que consegue andar com motos de maior cilindrada e potência sem fazer feio. E esse foi o tom dos outros pilotos: “A CB500X fez bonito nesta viagem”. A ela foi dada a missão de puxar o grupo composto por motos acima de 1200 cc. Não sofri com vento, pois a boa proteção aerodinâmica ajuda inclusive a reduzir a vibração do capacete em razão da turbulência provocada pelo vento frontal e lateral. É abusada – acelera rápido e retoma melhor ainda. O segredo é manter o motor sempre cheio na casa dos cinco mil giros. Neste ponto a moto responde muito rápido e torna a pilotagem bem divertida. Mas também sabe ser dócil e equilibrada para superar os malabarismos necessários de quem pilota no trânsito urbano de capitais como Recife e Fortaleza.

Outro ponto a destacar é a temperatura de funcionamento do motor. A refrigeração líquida e a distância dos cilindros em relação as pernas do piloto ajudam a minimizar a sensação de calor extremo nas pernas. Para completar ela também é boa de curvas. Sim! Gostei bastante de poder saltar alguns quebra-molas e emendas de pontes e viadutos sem nenhum problema. Em curvas ela se comporta como uma semi-esportiva e torna a pilotagem uma gostosa brincadeira.

A troca de marchas é outro ponto a destacar. Os engates são rápidos e precisos em todas as seis marchas e não são duros. Respondem bem tanto na arrancada como na reduzida e se você pegar o jeito do motor passa, sem grandes dificuldades, as marchas no tempo.

Acabamento

Painel com informações importantes como a autonomia.

Painel com informações importantes como a autonomia.

O acabamento da CB500X é discreto como deve ser o das motos versáteis, sem deixar de ser bonita. Colocada ao lado da Crosstourer ela se parece com a irmã mais nova dela. Menor, porém, muito atrevida.

O painel tem boa visualização e traz informações sobre velocidade, giro/rpm, trip, marcador de combustível, km/l, indicador de ABS e o restante obrigatório por lei. No guidão os comandos são acessíveis. Uma restrição é o desenho do botão de buzina e do pista alerta – a forma como eles estão colocados leva um tempo para você se acostumar. Poderia ter melhor ergometria.

Faróis

Faróis confiáveis e que iluminam bem.

Faróis confiáveis e que iluminam bem.

Os faróis alto e baixo – 60 / 55W – permitem rodar à noite com boa visão à frente. Tanto a luz baixa quanto a luz alta são boas e garantem uma pilotagem sem muitas surpresas por iluminar grande distância à frente.

Freios

Os freios ABS usados pela Honda são confiáveis e você pode exigir que eles respondem bem e rapidamente. Há potência no freio dianteiro e boa combinação com o traseiro. Você irá notar alguma torção no freio dianteiro quando pressionado com força, mas isso é normal pois é formado por um disco único que, no momento da frenagem, e por ter a pinça encaixada em apenas um lado, há uma tendência a uma pequena torção para este lado do garfo onde estão presas as bengalas. Na traseira há bom controle e com o ABS, não trava e nem derrapa.

Conclusão

A CB500x me surpreendeu. Não me fez lembrar em nada a CB antiga, mas me mostrou que é possível fazer uma nova moto, com novas características e que vai agradar a muita gente. Particularmente, confesso que não acreditava que a Honda conseguisse apagar a imagem da CB 500, mas a nova CB500X me surpreendeu ao ponto de ser a minha escolha para uma moto de entrada com a proposta de um projeto de ser versátil. Gostei e recomendo. Definitivamente, a CB500 ficou apenas como uma doce lembrança do passado.

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