Trabalho e profissões: Desde as cavernas até as novas profissões da Web

No início éramos coletores, depois caçadores e depois veio o trabalho. A humanidade passava boa parte do tempo sem ter muito com que se preocupar em o quê arranjar para comer. A maior preocupação mesmo era manter-se longe do chão e dos predadores, mas um dia o paraíso acabou e o trabalho passou a ser algo, digamos, fundamental para a sobrevivência humana. Segundo o dicionário Hoauiss, o termo deriva do latim, tripalium, instrumento de tortura, derivando do adjetivo tripális, que significa sustentado por três estacas ou mourões. O termo tripaliare, influenciou vários idiomas, entre eles o português trabalhar, o francês travailler, o espanhol trabajar e o italiano traballare.

Depois da Era do Gelo veio a agricultura, em seguida o escambo e o comércio, depois a Era Industrial e por último, a Era da Informação batizada assim por Peter Drucker.

Na semana do Dia do Trabalho ou Dia do Trabalhador, muito é comemorado e muito é protestado. Capital versus trabalho é um tema muito polêmico e complexo do qual prefiro abster-me nesta coluna. A luta por melhores condições trabalhistas se confunde com a luta pela liberdade e pelos direitos civis. É praticamente impossível separar umas das outras, por isso muitas revoluções começaram pela revolta ou reivindicações dos trabalhadores e logo ganharam corpo quando se chocavam com a necessidade de mais liberdade e garantias civis.

São várias as passagens importantes e muitas as histórias de lutas no mundo todo, mas eu separei, dentre tantas, algumas que eu particularmente gosto muito por terem, de certa forma, modificado grande parte do nosso planeta. Liberdade, trabalho, garantias civis direta ou indiretamente estarão sempre juntos, em menor ou maior intensidade, felizes ou não; no húmus desse labor que pelas mãos dos trabalhadores (empregados públicos e privados e empresários) que tentamos fazer um mundo melhor e lutamos para sobreviver, seja construindo ou reivindicando. Mesmo desgastada e deturpada a frase continua forte e expressa uma verdade construída por trás de grandes conquistas que é “Do povo, pelo povo e para o povo”.

Em 1886 uma manifestação de trabalhadores de Chicago, EUA, tinha como finalidade reivindicar a redução da jornada de trabalho para 8 horas diárias e teve a participação de milhares de pessoas. Nesse dia teve início uma greve geral nos EUA . No dia 3 de Maio aconteceu o primeiro embate com a polícia e resultou na morte de manifestantes. No dia seguinte, 4 de Maio, nova manifestação foi organizada como protesto pelos conflitos dos dias anteriores. Uma bomba foi lançada por desconhecidos bem no meio dos policiais matando sete membros da força policial. A polícia abriu fogo matando doze pessoas e ferindo dezenas, ficando a batalha conhecida como a Revolta de Haymarket.

Mas o mundo queria melhores condições e menos exploração. Como uma pandemia avançou pelo mundo e três anos mais tarde, a 20 de Junho de 1889, a segunda Internacional Socialista reunida em Paris, decide pela proposta de Raymond Lavignee convoca manifestações para lutar pelas 8 horas de trabalho diário. O dia escolhido foi o 1º de Maio, em homenagem às lutas sindicais de Chicago. Dois anos depois, também em um 1º. de Maio uma manifestação de trabalhadores no norte de Françatermina em violência com a morte de dez manifestantes pela polícia.

No domingo do dia 22 de Janeiro de 1905 , foi organizada uma manifestação pacífica e em marcha lenta, liderada pelo padre ortodoxo e membro da Okhrana, Gregori Gapone, com destino ao Palácio de Inverno do czar Nicolau II, em São Petersburgo, com o objetivo de entregar uma petição, assinada por cerca de 135 mil trabalhadores, reivindicando direitos ao povo, como reforma agrária (trabalho pois a agricultura era a base da economia), tolerância religiosa, fim da censura e a presença de representantes do povo no governo. Durante a caminhada, eram cantadas músicas religiosas, e também a canção nacional “Deus Salve o Czar”. Mas alguém não gostou do repertório. Este alguém era Alexandrovitch, grão-duque, ordenou à guarda do czar que não permitisse que povo se aproximasse do palácio e que mandasse o povo para casa. A multidão não recuou e a guarda disparou contra a população deixando centenas de mortos.

Indignada com a atitude do czar acendeu o pavil para o início de um dos maiores movimentos revolucionários da história da humanidade. O massacre ficou conhecido como “Domingo Sangrento”, que nada tem a ver com o “Domingo Sangrento” transformado em música pela banda irlandesa U2.

A greve sempre foi utilizada pelos trabalhadores como instrumento de luta. Imensas greves ocorreram em São Petersburgo, logo após o Domingo Sangrento. Ao final de janeiro mais de 400.000 trabalhadores estavam parados. O movimento rapidamente se alastrou para outros centros industriais na Polônia, Finlândia e na costa báltica. Em Riga 80 militantes foram mortos em 13 de janeiro e, alguns dias depois, em Varsóvia, mais 100 grevistas caíram mortos nas ruas. Em fevereiro havia greves no Cáucaso e, em abril, nos Urais e não parou mais. Em março todas as instituições acadêmicas foram obrigadas a fechar as portas pelo resto do ano, fazendo com que muitos estudantes se juntassem aos trabalhadores grevistas. Uma greve dos ferroviários, no dia 8 de outubro, rapidamente se transformou em greve geral, em São Petersburgo e em Moscou. Em 13 de Outubro, mais de 2 milhões de trabalhadores estavam em greve e praticamente não haviam mais estradas de ferro em funcionamento. Objetivo dessas confusões? Melhores condições de trabalho.

A insatisfação atingiu também a poderosa marinha russa quando a tripulação do navio amotinou-se em razão das péssimas condições de trabalho que tinham no navio Potemkin , sobretudo a péssima alimentação. Os marinheiros reclamavam que carne podre estava sendo servida aos marinheiros, nas refeições. Porém os demais navios da esquadra ‘amarelaram’ e os tripulantes do “Potemkin”buscaram refúgio na Romênia. As Forças Armadas já não podiam ser consideradas bases fiéis da Monarquia.

O movimento tomou força e sob a bandeira da defesa dos direitos do trabalhador, 12 anos depois, tomava o poder criando uma das mais duras ditaduras que o mundo já conheceu.

Anos mais tarde, em 23 de Abril de 1919 o senado francês aprova o dia de 8 horas e proclama o dia 1 de Maio feriado nacional. No ano seguinte a Rússia também adota o 1º de Maio como feriado nacional, o que depois foi seguido por muitos países. Apesar de, até hoje, os americanos não reconhecerem a data como sendo o Dia do Trabalhador, em 1890 a luta dos trabalhadores americanos conseguiu que o Congresso Americano aprovasse a redução da jornada de trabalho de 16 horas para 8 horas diárias.

Outro domingo sangrento, também orquestrado por trabalhadores, aconteceria na Irlanda do Norte. O Domingo Sangrento Irlandês aconteceu em Derry, Irlanda do Norte, no qual foram mortos 13 manifestantes e 26 ficaram feridos, no dia 30 de janeiro de 1972, quando o 1° Batalhão do Regimento de Pára-quedistas do exército britânico atacou uma manifestação pacífica a favor dos direitos civis e contra o governo da Irlanda do Norte.

Dos treze mortos, seis eram menores de idade, e um outro morreu alguns meses depois vítima dos ferimentos. Todas as vitimas estavam desarmadas. Cinco delas foram mortas pelas costas. Os manifestantes protestavam contra o governo irlandês por prender arbitrariamente pessoas suspeitas de atos terroristaso Exército Republicano Irlandês, o IRA que lutava pela separação da Irlanda do Norte da Grã-bretanha e a união com a República da Irlanda. Em vez de acabar com o movimento o “Domingo Sangrento”, fez com que o IRA conquistasse um número enorme de voluntários, aumentando a força do grupo guerrilheiro. Para lembrar daquele dia foi feita a canção Sunday Bloody Sunday! em 1983, pela banda irlandesa U2.

Apesar de todos os fatos, fartamente documentados, as investigações realizadas pelos britânicos inocentou a maioria dos soldados britânicos e as autoridades (algo parecido com o que aconteceu no caso do trabalhador brasileiro Jean Charles confundido com um homem-bomba e morto no metrô de Londres com oito tiros à queima-roupa, por forças da unidade armada da Scotland Yard britânica). O Inquérito Saville, criado em 1998 para rever os acontecimentos deve apresentar relatório conclusivo até o final 2009. Tanto tempo, para confirmar o óbvio.

As reivindicações e as vitórias dos trabalhadores hoje são mais pacíficas, mas não menos duras e nunca vão deixar de existir, pois a cada dia velhas profissões dão lugar a novas profissões e com elas novos conflitos. A maioria destas novas profissões surgiu com a chegada da Era da Informação que trouxe os computadores e a internet. A Web, na medida em que avança sobre a nossa sociedade, muda conceitos, comportamentos e culturas. O home-office já existia há tempos, presente em outras categorias, retomou força na nesta nova Era fazendo surgir novas profissões de nomes esquisitos e que muita gente, à primeira vista, nem sabe o que significa.

Vamos a algumas dessas novas profissões:

Webwriter:

Redige textos jornalísticos e pesquisa informações na internet. Além de escrever bem, precisa conhecer tecnologias específicas desse meio como HTML, CSS e ferramentas de publicação. Ele deve também entender os padrões de comunicação na rede mundial e produzir textos que possam ser facilmente consumidos pelo internauta.

Copywirter:

Assim como o webwriter, produz conteúdo para a internet. Só que, em vez de produzir conteúdo jornalístico, esse profissional web deve criar textos que envolvam e convençam os visitantes de um site. O nome vem do termo em inglês Sales copy, que se refere a um material escrito especialmente para vender um produto ou um serviço.

Blogger Profissional:

Administra a publicação de conteúdo e a manutenção de um blog. Posta novo material e faz ajustes constantemente. Precisa escrever bem, conhecer a linguagem web e estar familiarizado com ferramentas de publicação de conteúdo como o WordPress. É necessário conhecer tecnologias relacionadas ao universo blogger.

Gerente de Redes Sociais:

Um profissional que monitora as diversas comunidades existentes na rede mundial de computadores. O papel dele é estar atento ao que se fala sobre uma empresa ou marca em fóruns, sites de relacionamento e blogs. Ele precisa atuar como uma ponte entre o cliente e as pessoas certas da empresa para a qual trabalha.

Analista de Palavra-chave:

Trabalha principalmente com links patrocinados do Google e de outros sistemas de busca. Seu trabalho é definir as palavras-chave que irão disparar a publicidade e compor o texto do anúncio, que deve passar a mensagem e seduzir o internauta em poucas linhas. Há procura por esse profissional, mas existem poucos experientes.

Consultor BI:

O consultor business intelligence deve analisar informações para tomadas de decisão. Assim, números frios de bancos de dados e ferramentas de estatística podem ser convertidos em idéias para novos negócios. É importante que esse tipo de profissional tenha vivência em outras áreas empresariais para ter uma visão mais geral.

Arquiteto de Informação:

É quem define como um site será, antes que ele seja criado. O arquiteto de informação é responsável por aspectos do site como organização do conteúdo, navegação e usabilidade. Ele deve trabalhar em uma etapa intermediária entre o levantamento de informações com o cliente e a criação dos layouts das páginas.

Especialista em S.E.O:

Profissional com profundo conhecimento em padrões web e sobre o funcionamento do ranking de sistemas de busca. A função dele é fazer sites aparecerem nos primeiros resultados quando é feita uma busca no Google. É uma área que tem novidades todos os dias, por isso deve-se estar diariamente atualizado com as novidades da rede.

Apesar de grandes avanços, algumas práticas inaceitáveis para o momento de modernidade continuam a acontecer. O trabalho escravo, o assédio moral e sexual, a diferença de salário entre homens e mulheres e entre brancos e negros parece ainda demorarem um tempo para definitivamente fazerem parte do passado.

Independente das lutas justas de todos os trabalhadores por melhores condições o trabalho uma coisa é importante destacar: trabalhar, além de ser fundamental para a nossa sobrevivência, deve ser algo que nos realize e nos dê prazer. O labor precisa trazer felicidade, realização profissional e fundamentalmente melhorar a vida das pessoas. O prazer em servir, de que tanto eu falo, se existe no seu trabalho, você tem tudo para ser um profissional feliz, por que salário, até onde eu sei, ninguém, mesmo ganhando muito, está satisfeito com ele. Mas isso é outro assunto.

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