Motos: aprovação de crediário cai abaixo de 20%

MÁRIO CURCIO, AB

 

Marcos Fermanian é presidente da Abraciclo, associação que reúne fabricantes de motos e bicicletas (fotos: divulgação)
Durante o Congresso Fenabrave, que ocorreu entre os dias 16 e 18 de agosto no Expo Center Norte, o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, explicou o cenário negativo vivido pelos fabricantes de motocicletas diante da queda do mercado, muito dependente das vendas a crédito. “A aprovação das fichas caiu para menos de 20%. Hoje tem consumidor, tem fluxo de clientes na loja, mas não se consegue aprovação. Essa nova carteira (de clientes) é muito superior”, afirma o presidente da entidade que reúne fabricantes de motos e bicicletas.

Esse rigor vem, é claro, da alta da inadimplência, que para os veículos como um todo subiu de 3,8% em junho de 2011 para 6% em junho deste ano. “Quarenta e oito por cento dos compradores de motos estão nas classes D e E. E as famílias dessas duas camadas estão comprometendo, com financiamentos, 14% a mais do que ganham.”

Fermanian recordou outro ponto que prejudica as vendas, a não captação da usada pela concessionária como parte do pagamento. A alegação dos revendedores é a escassez ainda maior de crédito para essas motocicletas. Fermanian rebate: “Se elas são repassadas a outro consumidor de alguma forma, é questão de a revenda se estruturar para isso.”

EM DEZ ANOS, 4 MILHÕES DE UNIDADES AO ANO

Em 2002 foram emplacadas no Brasil 792 mil novas motos. Esse número atingiu 1,94 milhão em 2011 e deve chegar a cerca de 1,8 milhão até o fim deste ano. Daqui a dez anos, a Abraciclo estima um mercado de 4 milhões de novas unidades por ano. Se isso ocorrer, o País passará de dez para cinco habitantes por moto, mesma relação existente hoje na Indonésia. Nosso patamar atual já se iguala ao do Japão, berço das duas maiores fabricantes de motos instaladas no Brasil.

Para esses próximos anos, contudo, Fermanian vê duas barreiras a vencer. Uma delas é a concentração do crédito em poucos bancos, basicamente Bradesco, Itaú, Santander, BV e Panamericano. “De 1999 para cá houve várias fusões entre bancos e aquisições. O outro ponto a trabalhar é a imagem da motocicleta. As notícias negativas envolvendo motos tiveram aumento importante nesse primeiro semestre”, revela.

O TAMANHO DO MERCADO BRASILEIRO

Segundo dados da Abraciclo, o Brasil tem 2.576 concessionárias de motocicletas. Destas, 172 estão no Norte, 650 no Nordeste, 426 no Centro-Oeste, 1.076 no Sudeste e 252 no Sul. Entre 2002 e 2011, tanto a frota do Norte como a do Nordeste aumentaram 4,4 vezes. A do Centro-Oeste cresceu 3,4 vezes e a do Sudeste, 3,1 vezes. A menor alta ocorreu na Região Sul, 2,9 vezes. Nesse mesmo intervalo (2002-2011), a frota brasileira passou de 5,4 milhões para 18,4 milhões de motocicletas, crescimento de 3,4 vezes.

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